Volumen 8 - Número 24

Comportamento dos estabelecimentos de pequeno porte na indústria de transformação no Brasil no período 2000 a 2010 – uma avaliação em dois setores contrastantes


M. Carolina de Azevedo Ferreira de Souza, Leonel Mazzali, Miguel J. Bacic e Rodrigo Lanna da Silveira

O trabalho analisa a evolução da participação das pequenas empresas no número de estabelecimentos e no emprego, em dois setores da indústria brasileira: alimentos e cosméticos. A partir das principais bases de dados disponíveis no Brasil, o estudo abrange o período 2000 a 2010, marcado por dois momentos distintos: 2000-2003 (baixo crescimento) e 2004-2010 (recuperação). A comparação entre os dois setores visa avaliar se as características estruturais distintas de alguma forma aparecem nas taxas de crescimento do número estabelecimentos e do número de empregados. Os dados evidenciam que a estrutura industrial do setor de cosméticos é caracteristicamente de pequenas empresas, que mantêm participação relativamente estável no total de estabelecimentos e do emprego (aproximadamente 94% e 41%, respectivamente). A importância das pequenas empresas ganha realce considerando-se que, na década com um todo, sua contribuição para a geração líquida de empregos foi superior à das grandes empresas. Situação diversa se verifica no setor de alimentos. Os dados sinalizam uma estrutura industrial atomizada, com empresas dispersas geograficamente, porém com forte presença de grandes empresas, que conduzem o dinamismo do setor. Relativamente à média da Indústria e ao setor de cosméticos, os pequenos estabelecimentos, embora relevantes, têm baixa participação na geração de emprego.

 

Palavras-chave: pequena empresa, emprego na pequena empresa, estrutura industrial, crescimento econômico

 

This paper analyzes the evolution of the participation of small firms, in terms of number of establishments and total employment, in two sectors of Brazilian industry: foods and cosmetics. The study comprises the period between 2000 and 2010, reflecting on two different moments of the Brazilian economy: 2000-2003 (low economic growth) and 2004-2010 (economic recovery). By comparing these two sectors, we seek to find out if their distinct structural characteristics are somehow mirrored in the growth rates vis-à-vis the number of establishments and employees. The data shows that the industrial structure of the cosmetics sector is predominantly composed of small firms. Furthermore, we find that the shares of total establishments and employment (around 94% and 41%, respectively) remain relatively stable throughout this period. A different situation occurs in the food sector. In this case, the data indicates that there is a fragmented industrial structure, and that firms are more geographically dispersed. Nevertheless, the largest companies have the greatest market share and dictate the dynamism of the sector. Compared to the cosmetics sector and to the industry as a whole, small firms in the food sector, albeit relevant to the industrial structure, contribute very little to generating employment.

 

Key words: small business, employment in small business, structural characteristics, economic growth


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