Volumen 8 - Número 24

A mobilidade de investigadores em Portugal: uma abordagem de género


Emília Araújo e Margarida Fontes

O artigo apresenta os principais resultados de uma pesquisa realizada em Portugal sobre a relação entre a mobilidade científica e o género, com base em entrevistas e inquérito por questionário. Tomando como referência os estudos existentes sobre o papel da mobilidade e as problemáticas de género nos campos profissionais da ciência e da investigação, o artigo aponta para várias mudanças ao nível das relações sociais de sexo. O estudo empírico permite explicitar algumas das principais fontes dessas variações, dando relevo aos padrões culturais e aos contextos sociopolíticos nos quais as mulheres evidenciam mais dificuldades do que os homens em efetuar mobilidade, assim como em obter todas as vantagens que esta teoricamente propicia, apesar de algumas mudanças significativas nos comportamentos e atitudes masculinas, em especial em relação à valorização dos filhos e dos tempos familiares. Finalmente, a pesquisa evidencia que as transformações nas carreiras académicas e de investigação, cada vez mais associadas às lógicas do mercado internacional de trabalho e sujeitas a mecanismos de avaliação de desempenho que incluem a mobilidade como indicador de internacionalização, encobrem, sob um discurso fortemente valorizador do mérito e da iniciativa individuais, desigualdades de género que são de extrema relevância para pensar o futuro da investigação científica.

 

Palavras-chave: mobilidade, género, ciência, academia

 

 

Based on an empirical research conducted in Portugal, this paper addresses the relationship between scientific mobility and gender. Geographical mobility is increasingly discussed in the context of social studies of science and technology, but research on gender and mobility is still scarce. Drawing from existing studies on the role(s) of mobility and on gender issues in scientific careers, the paper draws attention to several changes regarding social relations of gender. The results suggest that the experience of mobility and the importance attributed to it vary between men and women. The research highlights some sources of variation, emphasizing the cultural patterns and sociopolitical contexts that lead women to have greater difficulties than men in engaging in long term mobility, as well as in reaping its potential benefits, despite some changes in men’s attitudes and behaviour. The paper concludes that academic and research careers are still fraught with gender inequalities, despite the discourse on merit and individual initiative that inspires the changes that women have undergone in recent years. Among these, evaluation mechanisms where mobility is valued as an indicator of internationalization emerge as an important source of inequality. These conclusions need to be taken in consideration in any reflection on the future of scientific research.

 

Key words: mobility, gender, science, academy


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