Telecentros: um projeto para a inclusão digital de jovens de baixa renda?

 

Helga Nazario e Estrella Bohadana

 

O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir parte dos dados decorrentes da pesquisa que investigou as relações entre Tecnologias da Informação e Comunicação e jovens de baixa renda usuários da Internet. Indagamo-nos se os usos da Internet em telecentros por esses jovens, no município de Niterói, constituir-se-iam em ações de inclusão digital. Valemo-nos das conceituações teóricas propostas por Canclini, Cazeloto, Soares, Sorj e Warschauer, que atentaram para as articulações entre inclusão digital e exclusão social. A pesquisa realizou-se em cinco telecentros, com entrevistas e questionários. Para a análise dos dados utilizamos a Teoria de Análise Argumentativa, de Perelman e Olbrecths-Tyteca. Ao final, concluímos que os usos da Internet em telecentros não promovem a inclusão digital, no sentido de proporcionar a inclusão social de seus usuários, como pretendido no discurso governamental. Ainda que tais estabelecimentos criem novos espaços para as relações sociais de jovens, observamos que as ações ali realizadas não reduzem a marginalização já instaurada nesse grupo, evidenciando a precariedade dessas estratégias.

 

Palavras-chave: inclusão digital, Internet, telecentros

 

 

The aim of this paper is to present and discuss the main points of a research that investigates the relationship between Information and Communication Technologies and low-income Internet users. We asked ourselves if the use of the Internet by youngsters in establishments called “telecentros” in the city of Niterói could promote a successful digital inclusion initiative. Our theoretical support was composed by authors like Canclini, Cazeloto, Soares, Sorj and Warschauer, who observed the links between digital inclusion and social exclusion. The study was taken in five “telecentros”, by means of interviews and questionnaires. For data analysis we were supported by the Perelman and Olbrecths-Tyteca’s Theory of Argumentative Analysis. We concluded that the use of the Internet in “telecentros” does not promote digital inclusion as intended in the governmental discourse. Although such establishments create new spaces for social relationships between youngsters, the actions carried out there do not reduce the marginalization already established in this particular group.

 

Key words: digital inclusion, Internet, “telecentros”